Esqueçam, este não é um post sobre a minha vizinha toda jeitosa. Primeiro, porque mal conheço os meus vizinhos, depois é pouco provável ter uma vizinha que nos bate à porta no dia de ano novo sem nunca nos termos cruzado. Apesar disso, há algum tempo que temia uma abordagem.
Passo a explicar:
Sou músico de andar por casa. Como tenho tido mais tempo, decidi dedicar-me um pouco mais às cantigas que faço sozinho. Componho com alguns instrumentos verdadeiros, misturados com brinquedos da minha filha, e gravo tudo numa loopstation. Acontece que este trabalho faz-me passar imensas horas a ouvir trechos de dez segundos em repeat, enquanto vou experimentando pequenos sons para gravar por cima. Ou seja, para quem ouve de fora não é difícil imaginar a nuvem de fumo que envolve o processo criativo.
Ontem, enquanto arranhava uns acordes, a vizinha da porta da frente, mãe de duas crianças, tocou na campainha. E olhem que não foi para me encorajar a uma desintoxicação ou persuadir-me para um programa de voluntariado. Simpática, começou por perguntar pela minha filha e desejou-nos um bom ano. Depois tocou no assunto: queria saber se eu podia ensinar o filho dela a tocar guitarra ou piano nos dias em que eu estivesse com a minha pequena. Fiquei um tanto desconcertado, mas lá disse para ela bater à porta um dia destes, quando ouvir sons a escapar pelo corredor. Vamos ver.
Crónicas do Sofá-Cama
De lado, em cima, por baixo, sentado, em pé, por trás. Mais do que fazer, tudo o que se pode dizer num sofá-cama.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Apresentações periódicas
Não é uma medida de coacção, mas quase. Se em Chelas eu disser ao senhor da mercearia que vou à minha apresentação periódica, ele manda-me para o posto da PSP ali ao lado, na esquina do segundo gueto. Mas as minhas apresentações são numa junta de freguesia. O jornal onde exerci afincadamente o meu trabalho decidiu cortar nos ordenados e eu, que recebia uma exorbitância de mil e poucos euros, acabei por rescindir contrato.
Desde então, passei visitar regularmente as senhoras que trabalham na minha junta. O cenário não é a salinha suspeita de um posto policial, mas é igualmente tétrico: há gatos a dormir em cima de impressoras, funcionários obesos que deixam pratos de comida em cima das secretárias, filhos de funcionários que passam as férias do Natal a comer bolachas no trabalho da mãe. Não tenho nada contra, mas confesso que me irritou ser atendido por uma mulher que falava de boca cheia, enquanto ouvia o presidente a tentar explicar qualquer coisa a uma rapariga inglesa. A ele, o que lhe faltou em vocabulário sobrou em fumo. A conversa durou pouco mais de cinco minutos, mas o "seu presidente" tragou ali dois cigarritos como quem não quer a coisa. Depois fez uma festa ao gato e desapareceu no gabinete entre tossidelas. Até daqui a 15 dias.
Desde então, passei visitar regularmente as senhoras que trabalham na minha junta. O cenário não é a salinha suspeita de um posto policial, mas é igualmente tétrico: há gatos a dormir em cima de impressoras, funcionários obesos que deixam pratos de comida em cima das secretárias, filhos de funcionários que passam as férias do Natal a comer bolachas no trabalho da mãe. Não tenho nada contra, mas confesso que me irritou ser atendido por uma mulher que falava de boca cheia, enquanto ouvia o presidente a tentar explicar qualquer coisa a uma rapariga inglesa. A ele, o que lhe faltou em vocabulário sobrou em fumo. A conversa durou pouco mais de cinco minutos, mas o "seu presidente" tragou ali dois cigarritos como quem não quer a coisa. Depois fez uma festa ao gato e desapareceu no gabinete entre tossidelas. Até daqui a 15 dias.
Bem-vindos ao sofá
Hoje, dia dois de Janeiro de 2012, segundo dia de um ano de crise anunciada, decido finalmente fazer um blogue. Não prometo coisa absolutamente nenhuma, pois receio que não próxima semana já não me lembre da password desta geringonça. De qualquer forma, neste ano de eleição para tudo o que é profeta da desgraça, espero dedicar algum tempo à escrita descomprometida, e ao sabor do humor dos dias. É sentar e esticar a perna. Tranquilos que eu conduzo.
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