segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A minha vizinha

Esqueçam, este não é um post sobre a minha vizinha toda jeitosa. Primeiro, porque mal conheço os meus vizinhos, depois é pouco provável ter uma vizinha que nos bate à porta no dia de ano novo sem nunca nos termos cruzado. Apesar disso, há algum tempo que temia uma abordagem.
Passo a explicar:
Sou músico de andar por casa. Como tenho tido mais tempo, decidi dedicar-me um pouco mais às cantigas que faço sozinho. Componho com alguns instrumentos verdadeiros, misturados com brinquedos da minha filha, e gravo tudo numa loopstation. Acontece que este trabalho faz-me passar imensas horas a ouvir trechos de dez segundos em repeat, enquanto vou experimentando pequenos sons para gravar por cima. Ou seja, para quem ouve de fora não é difícil imaginar a nuvem de fumo que envolve o processo criativo.

Ontem, enquanto arranhava uns acordes, a vizinha da porta da frente, mãe de duas crianças, tocou na campainha. E olhem que não foi para me encorajar a uma desintoxicação ou persuadir-me para um programa de voluntariado. Simpática, começou por perguntar pela minha filha e desejou-nos um bom ano. Depois tocou no assunto: queria saber se eu podia ensinar o filho dela a tocar guitarra ou piano nos dias em que eu estivesse com a minha pequena. Fiquei um tanto desconcertado, mas lá disse para ela bater à porta um dia destes, quando ouvir sons a escapar pelo corredor. Vamos ver.

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