Não é uma medida de coacção, mas quase. Se em Chelas eu disser ao senhor da mercearia que vou à minha apresentação periódica, ele manda-me para o posto da PSP ali ao lado, na esquina do segundo gueto. Mas as minhas apresentações são numa junta de freguesia. O jornal onde exerci afincadamente o meu trabalho decidiu cortar nos ordenados e eu, que recebia uma exorbitância de mil e poucos euros, acabei por rescindir contrato.
Desde então, passei visitar regularmente as senhoras que trabalham na minha junta. O cenário não é a salinha suspeita de um posto policial, mas é igualmente tétrico: há gatos a dormir em cima de impressoras, funcionários obesos que deixam pratos de comida em cima das secretárias, filhos de funcionários que passam as férias do Natal a comer bolachas no trabalho da mãe. Não tenho nada contra, mas confesso que me irritou ser atendido por uma mulher que falava de boca cheia, enquanto ouvia o presidente a tentar explicar qualquer coisa a uma rapariga inglesa. A ele, o que lhe faltou em vocabulário sobrou em fumo. A conversa durou pouco mais de cinco minutos, mas o "seu presidente" tragou ali dois cigarritos como quem não quer a coisa. Depois fez uma festa ao gato e desapareceu no gabinete entre tossidelas. Até daqui a 15 dias.
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